quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Fim.

Então, era esse o fim de Lice e Alice.
Parecia ser inabalável, uma balada amorosa que corrompia todas as leis da física e da psicologia.
De repente, Lice surge com uma nova idéia. Ele quer ir para outra cidade, conhecer novas pessoas e Alice quer ficar naquele castelo que haviam construído. Era o mesmo mundo, do modo de vista dela e dele. Alice quer viver apenas o presente, acordando feliz a cada manhã em ver seu amado com os olhos fechados dormindo sereno e profundamente e lhe acariciar os cabelos escuros. Ele queria acordar com um novo horizonte, semicerrar os olhos ao nascer do Sol e presenciar novos aspectos de vida.
Não existia acordo.
Para Lice, não existia mais o desejo de acordar com as mãos delicadas de Alice em seus cabelos negros.
Partiu.
Alice sentiu seu chão afundar, seus olhos marejar e sua boca tremer.
Vinha um longo grito que nunca veio.
Nenhuma notícia, nenhum bilhete.
O castelinho tinha sido em vão?
Ela se viu perdida em lembranças e dúvidas, sem quem recorrer sem poder dizer que estava mal. Com a tragédia terminada, todos sumiram. Seu maior conselheiro se fora e ela não possuía mais ninguém.
Seu chão afundou num mergulho de peito ao vento, segundos de misericórdia e perdão por estar fazendo aquilo consigo, mas muito mais que ela já estava por aí, caído no mundo. O resto podia se perder também, no marasmo infernal.
Bum!
Era o encontro de Alice e as dores do mundo.
Triste.
O mais triste era saber que em algum lugar do mundo, um pedaço de Lice se foi, e doeu. Mas era uma dor que ele não sabia de onde vinha.
Talvez um dia se reencontrem...

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