quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Eu e os 60.

Lá fora explosão britânica na mídia, culturas nascendo e formando a cabeça de gerações (inclusive a minha).
Aqui, manifestações partidárias, estudantis ou não pra mostrar que o povo queria liberdade. Tudo era corrompido, tudo.
Meus pais não sabem dizer ao certo o que foi esse período pois foi bem a época em que nasceram.
Mas olha-se em livros, revistas e aquilo mais que a ditadura não queimou, que foram tempos difíceis, de dinheiro ralo, a moda era o que se tinha para vestir, sendo barato, a música era de protesto e a arte era sempre deixada em segundo plano.
Sempre me emociono ao ler isso. Seja daqui ou de fora. Era um mundo simples e ao mesmo tempo rico, pois nasciam e cresciam tantas coisas diferentes, mas dentro de um único contexto. O povo no mundo queria mudar, sabia como mudar e não se alienava nisso.
Hoje olho crianças vidradas em seus jogos de video games, comprados no fim do 3º Bimestre escolar, depois de todas as notas estarem azuis no boletim (malandro cola). O rádio virou um produtor de modinhas baratas, passageiras e sem nenhum conteúdo. A televisão virou o "big brother" de 1984. todos vivem em função disso e daquilo, desde que passe na televisão.
A rua virou sinônimo de bandidagem, não de criação.
Hoje aos 14 se faz uma biografia. Hoje sapato tem mais tecnologia que um celular. Hoje você tem um celular, mesmo se não sabe falar. Cadeados não protegem mais. Você aperta botões para poder ler.
Conta meu pai que a primeira bola dele foi quando completou 9 anos e ela furou no mesmo dia. Fazia um calor infernal e muitas crianças estavam sentadas, tristes. Hoje se grita porque ganhou o video game do momento.

Ah eu queria ter vivenciado esse mundo antigo e simples, mas de muito conhecimento sobre pouco.
Hoje tem muito, mas pouco conhecimento do muito.
Não é difícil de entender.

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