Eu, que não acredito em religião, mantenho a fé.
Fé é uma palavra complicada, pode ser interpretada de formas variadas e nem sempre é compreendida.
Na minha concepção, fé é acreditar em algo superior, que nos mantém aqui, com os pés no chão. Não precisa ter uma religião para se ter fé. Creio que Jesus Cristo pode ter existido, mas não foi isso tudo que hoje é contado na Bíblia, um livro que foi escrito por alguém e que não se sabe se é fato. Mas não deixo de ter fé.
Fé é acreditar. Acredito que o mundo pode melhorar, que a miséria de muitos e a riqueza de poucos irá acabar, que a fome, a dor podem se extinguir. Creio que o amor pode salvar.
Não existem vários deuses. Existe um único Deus, independente da igreja ou templo que exista.
As pessoas brigam por religião. Mas a fé delas é a mesma.
Será que precisamos mesmo colocar o nome de Deus em vão?
Será que precisamos mesmo usar da fé alheia para se auto-sustentar?
Será que precisamos mesmo se divergir tanto para crer em algo único? E matar por isso?
Reflita.
domingo, 24 de outubro de 2010
sábado, 16 de outubro de 2010
O homem
Um homem bateu em minha porta e eu abri. Senhoras e senhores, ele me disse sérias coisas.
Pediu para entrar e resolveu me contar histórias sobre ele, me alertando e me fazendo crescer.
Disse que a partir do momento em que resolvi abrir a porta para ele, minha vida não seria mais a mesma.
Disse que um primo seu provavelmente eu já conhecia, mas não era tão louco e intenso quanto ele.
Disse que ele poderia me trazer umas mulheres, chamadas Alegria e Decepção. E que elas andam de mãos dadas, e por mais que uma tenha soberania sobre minha pessoa, a outra estará do meu outro lado.
Disse que eu poderia me magoar caso aceitasse ele de forma intensa.
Disse que se ele acertasse, seria pra vida toda.
Mas o que mais me impressionou foi quando ele disse que nunca mais sairia de mim e mesmo morta, ele estaria empregnado na minha alma.
Eu, pequena e indefeza, engoli em seco e encarei de frente o desafio.
E realmente, ele trouxe essas mulheres. Eu conhecia seu primo, o tal do Paixão. Ele me magoou, me engrandeceu.
Conto isso porque sei que vale a pena abrir a porta. Por mais enganador e sofredor que ele seja, é um bom homem. Ele não faz nada porque quer, ele nem é racional. Abram suas portas e deixem este homem entrar. Abram seus corações e arranje um espaço para a Alegria e a Decepção. Este homem faz tudo valer a pena.
O nome dele, Senhoras e Senhores?
Amor.
Pediu para entrar e resolveu me contar histórias sobre ele, me alertando e me fazendo crescer.
Disse que a partir do momento em que resolvi abrir a porta para ele, minha vida não seria mais a mesma.
Disse que um primo seu provavelmente eu já conhecia, mas não era tão louco e intenso quanto ele.
Disse que ele poderia me trazer umas mulheres, chamadas Alegria e Decepção. E que elas andam de mãos dadas, e por mais que uma tenha soberania sobre minha pessoa, a outra estará do meu outro lado.
Disse que eu poderia me magoar caso aceitasse ele de forma intensa.
Disse que se ele acertasse, seria pra vida toda.
Mas o que mais me impressionou foi quando ele disse que nunca mais sairia de mim e mesmo morta, ele estaria empregnado na minha alma.
Eu, pequena e indefeza, engoli em seco e encarei de frente o desafio.
E realmente, ele trouxe essas mulheres. Eu conhecia seu primo, o tal do Paixão. Ele me magoou, me engrandeceu.
Conto isso porque sei que vale a pena abrir a porta. Por mais enganador e sofredor que ele seja, é um bom homem. Ele não faz nada porque quer, ele nem é racional. Abram suas portas e deixem este homem entrar. Abram seus corações e arranje um espaço para a Alegria e a Decepção. Este homem faz tudo valer a pena.
O nome dele, Senhoras e Senhores?
Amor.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Crescendo
A mulher sentiu que cresceu quando finalmente parou de olhar para trás.
O homem sentiu que cresceu quando viu que seu passado não era vergonhoso.
A criança não se vê crescer desse modo. Amadurecer não é palavra pra criança, o crescer dela é físico.
O adolescente não cresce, não deve crescer e se julga maduro, porém suas experiências não o tornam nem um pouco vivido. Ou vívido?
Mas não é meu dedo que irá apontar quem já pode ser colhido.
Nem Deus, nem ninguém.
Não existe maturidade, está sempre em busca de algo maior, que exige mais maturidade.
O velho, que dizemos -e ele também diz-, ser experiente, não tem maturidade o suficiente para tentar crescer mais. Estagnado ou recluso. Se existe algum idoso que continua evoluindo (a não ser para a morte), se apresente.
Maturidade não convém. Estaremos sempre nos julgando grandes, achando que crescemos e regressaremos, e nunca seremos nada.
É relativo. Assim como tudo o que somos, nossa maturidade é relativa.
O homem sentiu que cresceu quando viu que seu passado não era vergonhoso.
A criança não se vê crescer desse modo. Amadurecer não é palavra pra criança, o crescer dela é físico.
O adolescente não cresce, não deve crescer e se julga maduro, porém suas experiências não o tornam nem um pouco vivido. Ou vívido?
Mas não é meu dedo que irá apontar quem já pode ser colhido.
Nem Deus, nem ninguém.
Não existe maturidade, está sempre em busca de algo maior, que exige mais maturidade.
O velho, que dizemos -e ele também diz-, ser experiente, não tem maturidade o suficiente para tentar crescer mais. Estagnado ou recluso. Se existe algum idoso que continua evoluindo (a não ser para a morte), se apresente.
Maturidade não convém. Estaremos sempre nos julgando grandes, achando que crescemos e regressaremos, e nunca seremos nada.
É relativo. Assim como tudo o que somos, nossa maturidade é relativa.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
A última carta
"Foram poucos meses. Pouco tempo, parece que foi ontem. E foi ontem.
Me recusei a dizer cara a cara, todo esse tempo pois sabia que assim que deixasse explícito, iria acabar. E acabou.
Não me importo com o quanto que veio dele. Se foi pouco, muito, escasso ou em excesso, se amou ou se só curtiu, tanto faz. Quando tinha garantia de seu abraço, tudo era perfeito. Quando eu podia tocá-lo, quando recebia um sorriso gratuito. Quando passávamos horas em silêncio, mas eu sentindo sua respiração e seu coração batendo em meu ouvido. Quando parecia ser infinito.
E aquela amizade? Parece nunca mais surgir.
Hoje estás sempre se recusando a conversar, parece que todo assunto é proibido. Mas eu não me canso, não desisto ou não consigo não dizer um "oi". Ou melhor, não conseguia.
Mesmo com tudo isso, ele do meu lado me engrandece, me faz me sentir mulher, me faz ter a sensação de que posso tudo.
E faz tão pouco tempo, minha dor de perdê-lo só piora, os ponteiros passam cada dia mais devagar e eu não esqueço. E apesar de odiá-lo por me fazer sofrer desse modo, meu amor cresce junto com esse ódio, e cada vez mais, meu coração infla de amor e dor. Quero destruir, mas não sei fazer isso com quem amo. Assim, meu ódio se recicla e se transforma em mais carinho, mais desejo. Me sufoca, me deixa tonta, bêbada, todo esse amor.
Não vejo mais outros rostos, pessoas. Só existe ele.
O que me conforta (pouco, mas conforta), é saber como são todos os seus gostos, gestos, toques, sabores, ódios. Eu sei a delícia que ele é.
Só que como disse, a cada dia piora. Eu e meu amor. Tentar decifrá-lo deixou de ser meu passatempo favorito para virar masoquismo. Dói demais, olhar pra ele e não tê-lo em meu olhar. Dói demais, demais.
Perdão a todos, mas cansei dessa auto-tortura.
Irei eternizar os momentos bons e congelar aqui e agora, os ruins. Se eles se perderem, comigo estarão guardados para sempre.
Eu te amo, e muito.
Por favor, não derrames nenhuma gota de lágrima e lembre-se: serei sua eterna enamorada.
Adios."
- E então foi só isso que Eduarda deixou para mim? Uma carta?
- Não Frederico - disse a mãe de Eduarda - Ela deixou tudo o que tinha.
- Um pedaço de papel?
- Todo o amor dela, só para você.
~
Me recusei a dizer cara a cara, todo esse tempo pois sabia que assim que deixasse explícito, iria acabar. E acabou.
Não me importo com o quanto que veio dele. Se foi pouco, muito, escasso ou em excesso, se amou ou se só curtiu, tanto faz. Quando tinha garantia de seu abraço, tudo era perfeito. Quando eu podia tocá-lo, quando recebia um sorriso gratuito. Quando passávamos horas em silêncio, mas eu sentindo sua respiração e seu coração batendo em meu ouvido. Quando parecia ser infinito.
E aquela amizade? Parece nunca mais surgir.
Hoje estás sempre se recusando a conversar, parece que todo assunto é proibido. Mas eu não me canso, não desisto ou não consigo não dizer um "oi". Ou melhor, não conseguia.
Mesmo com tudo isso, ele do meu lado me engrandece, me faz me sentir mulher, me faz ter a sensação de que posso tudo.
E faz tão pouco tempo, minha dor de perdê-lo só piora, os ponteiros passam cada dia mais devagar e eu não esqueço. E apesar de odiá-lo por me fazer sofrer desse modo, meu amor cresce junto com esse ódio, e cada vez mais, meu coração infla de amor e dor. Quero destruir, mas não sei fazer isso com quem amo. Assim, meu ódio se recicla e se transforma em mais carinho, mais desejo. Me sufoca, me deixa tonta, bêbada, todo esse amor.
Não vejo mais outros rostos, pessoas. Só existe ele.
O que me conforta (pouco, mas conforta), é saber como são todos os seus gostos, gestos, toques, sabores, ódios. Eu sei a delícia que ele é.
Só que como disse, a cada dia piora. Eu e meu amor. Tentar decifrá-lo deixou de ser meu passatempo favorito para virar masoquismo. Dói demais, olhar pra ele e não tê-lo em meu olhar. Dói demais, demais.
Perdão a todos, mas cansei dessa auto-tortura.
Irei eternizar os momentos bons e congelar aqui e agora, os ruins. Se eles se perderem, comigo estarão guardados para sempre.
Eu te amo, e muito.
Por favor, não derrames nenhuma gota de lágrima e lembre-se: serei sua eterna enamorada.
Adios."
- E então foi só isso que Eduarda deixou para mim? Uma carta?
- Não Frederico - disse a mãe de Eduarda - Ela deixou tudo o que tinha.
- Um pedaço de papel?
- Todo o amor dela, só para você.
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