segunda-feira, 17 de maio de 2010

A lágrima do ferro


Quando me fazem chorar não sabem o mal que fizeram.
Acham que sou uma grande fortaleza (o tamanho?), que de mim nada passa e que nada, nem o frio consegue me derrubar.
Talvez sim, talvez eu seja forte o suficiente para enfrentar coisas e/ ou pessoas.
Mas é quase isso. Aguento até onde minhas forças suportam (isso é óbvio). Quando me fazem derramar uma gota de lágrima, me sinto a pessoa mais fraca do mundo. Não existe outros sofrimentos, dores, pessoas passando fome, frio, enfim, necessidade. Apenas minha dor.
É como se não existisse espaço dentro de meu corpo para a angústia. Como se ela tomasse conta de meu cérebro e sua única ordem seria me fazer amolecer inteira. Meus pés bambeam, minhas mãos tremem, o suor escorre frio e a lágrima corre. Junta-se todas as dores do mundo em um único ser e lá estou eu, sofrendo.
Pouco choro. Chorar não é um hábito constante, acontece pura e simplesmente. Para tanto deve haver um motivo e não há motivo maior do que a dor no coração, a dor de um coração quebrado ou mal cicatrizado. São meus motivos para chorar. Minha maior mágoa é o amor.
Para tal acontecimento, o ato de eu chorar, o indivíduo deve me fazer sofrer muito.
Mas nada aconselhável. Nada pior do que ferir o coração de uma mulher.
Pois logo após a lágrima da raiva, aparece um sorriso.
Um sorriso de vingança.

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